EM CUIABÁ

Obras em unidades socioeducativas aumentarão em 50% vagas masculinas e femininas

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O investimento de R$ 25 milhões do Governo de Mato Grosso para ampliar e modernizar as unidades socioeducativas de Cuiabá, destinadas a adolescentes em cumprimento de medidas de internação, ampliará o número de vagas masculinas de 68 para 100. Já na unidade feminina, sairá de 12 para 20 vagas.

Nesta sexta-feira (7.3), o secretário de Justiça, Vitor Hugo Bruzulato, vistoriou as obras em andamento no antigo Complexo do Pomeri, acompanhado da secretária adjunta do Sistema Socioeducativo e Política sobre Drogas, Lenice Silva.

No complexo estão em execução as obras do novo Centro de Atendimento Masculino, que terá capacidade para 60 vagas, além da construção das muralhas e outras obras necessárias no entorno. Também estão em reforma a unidade feminina e a sede da Superintendência de Administração Socioeducativa.

“Com esta nova obra, o Estado avança na ampliação de vagas, fortalecendo a atuação do Sistema Socioeducativo de Mato Grosso. Destacando ainda que além de Cuiabá, a secretaria já entregou novas unidades em outros três polos do Estado – Rondonópolis, Barra do Garças e Sinop”, lembrou o titular da Secretaria de Justiça.

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A secretária adjunta explica que após as obras, a capacidade de internação na unidade masculina chegará a 100 vagas. “Ou seja, teremos um aumento de 32% nas vagas masculinas, conseguindo atender com uma estrutura nova”, ressaltou a gestora do Socioeducativo.

No interior do complexo, mesmo com as obras em andamento, as atividades pedagógicas, profissionalizantes e culturais permanecem em execução. A secretária adjunta destaca que os adolescentes em medida de internação exercem também atividades externas, de acordo com o perfil e autorização judicial. Com isso, eles podem participar de eventos, cursos profissionalizantes e trabalho remunerado, entre outras atividades.

A previsão é que as obras nas unidades socioeducativas de Cuiabá sejam entregues em junho deste ano.

Investimentos

Entre 2019 e junho de 2024, o Governo do Estado investiu mais de R$ 90 milhões em novas obras e modernização no Sistema Socioeducativo de Mato Grosso. Foram construídas novas unidades de Centros de Atendimento Socioeducativo (Case) nas cidades de Barra do Garças, Sinop e Rondonópolis.

Em Barra do Garças, com os investimentos feitos , o número de vagas saiu de 14 para 60. Já em Sinop, o novo Case ampliou de 20 para 60 vagas.

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“Com os investimentos em infraestrutura e a nomeação dos novos servidores, o Governo do Estado está fortalecendo o atendimento no Sistema Socioeducativo nessas regiões”, completou Lenice Silva.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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