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Retrospectiva 2025: crises abertas e disputas eleitorais à vista no DF em 2026

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Com as eleições de 2026 se aproximando, o Distrito Federal entra no novo ano carregando pendências estruturais que se agravaram ao longo de 2025. Contingenciamentos orçamentários, falhas na prestação de serviços públicos e decisões políticas controversas colocaram saúde, educação, direito à cidade e gestão dos recursos públicos no centro do debate. Mais do que um balanço, o cenário aponta para um ano marcado por disputas intensas e pressão social crescente.

Saúde em colapso e orçamento em queda

A saúde pública encerrou 2025 em situação crítica. A superlotação de UPAs e hospitais, a falta de profissionais e a escassez de insumos tornaram-se parte da rotina da população que depende do SUS. Mesmo diante desse quadro, o orçamento previsto para 2026 sofreu um corte de R$ 1,1 bilhão, caindo para cerca de R$ 11,9 bilhões.

Entidades sindicais apontam que o contingenciamento aprofunda um desmonte já em curso. Para o Sindicato dos Enfermeiros do DF, a recomposição orçamentária, a realização de concursos e a valorização salarial serão pautas centrais em 2026. Na Câmara Legislativa, parlamentares da oposição indicam que a resistência ao corte de recursos será uma das principais frentes de atuação no ano eleitoral.

Educação sob pressão

A educação pública também terminou 2025 sob tensão. A greve dos professores, logo no início do ano, expôs problemas históricos: falta de estrutura, salas superlotadas, déficit de servidores e salários defasados. Apesar de conquistas pontuais, como a nomeação de concursados e avanços no debate da carreira, o setor sofreu novo revés com a redução do orçamento para 2026, de R$ 5,4 bilhões para R$ 5,1 bilhões.

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Além da luta contra o contingenciamento, 2026 será marcado pela elaboração do Plano Distrital de Educação, o que amplia a disputa política em torno do projeto educacional do DF. No ensino superior, a Universidade de Brasília também esteve sob ataque de grupos da extrema direita, mas manteve sua autonomia institucional, fortalecendo a articulação entre docentes, sindicatos e movimentos sociais.

Direito à cidade em disputa
O debate sobre quem tem direito à cidade ganhou força em 2025 com a aprovação do Tarifa Zero e do novo Plano Diretor de Ordenamento Territorial (Pdot). A gratuidade no transporte público aos domingos e feriados ampliou o acesso da população periférica à cidade e elevou significativamente a demanda no metrô e nos ônibus.

Já o Pdot, embora tenha atualizado uma legislação defasada desde 2009, foi alvo de críticas de especialistas e movimentos sociais. Para parlamentares da oposição, o plano aprovado favorece a especulação imobiliária e não enfrenta de forma estrutural o déficit habitacional do DF. A política de derrubadas de ocupações, conduzida pelo governo Ibaneis Rocha em parceria com a vice-governadora Celina Leão, aprofundou o debate sobre moradia e exclusão urbana.

Moradia e conflitos sociais

A crise habitacional seguiu exposta ao longo do ano. Movimentos como o MTST denunciam a contradição entre o número de famílias sem teto e a existência de milhares de imóveis vazios no DF. As ocupações e as remoções forçadas evidenciaram a ausência de uma política habitacional consistente e ampliaram o conflito entre governo e movimentos populares.

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A derrubada do veto à Política Distrital de Arborização Urbana, aprovada pela CLDF, foi vista como uma rara vitória ambiental e social diante de um Executivo acusado de bloquear a participação popular.

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Escândalo financeiro e desgaste político

O caso envolvendo o Banco Master e o BRB tornou-se um dos episódios mais graves de 2025. A tentativa de aquisição do banco privado pelo BRB, seguida da Operação Compliance Zero, revelou suspeitas de gestão fraudulenta, operações irregulares e um esquema bilionário envolvendo títulos falsos. O escândalo resultou em prisões e no afastamento da antiga presidência do BRB, além de gerar forte desgaste político para o Palácio do Buriti.

A oposição tenta manter viva a possibilidade de instalação de uma CPI em 2026 para investigar a relação do governo do DF com o esquema. Mesmo com ceticismo quanto aos resultados práticos, parlamentares avaliam que a comissão pode esclarecer responsabilidades políticas e ampliar a pressão pública em ano eleitoral.

O que esperar de 2026
O ano que começa será decisivo não apenas pela escolha de novos representantes, mas pela definição dos rumos do DF. A recomposição dos orçamentos da saúde e da educação, o enfrentamento da crise habitacional, a defesa do direito à cidade e os desdobramentos dos escândalos de corrupção devem dominar o debate público.

Com sindicatos, movimentos sociais e parlamentares em estado de mobilização, 2026 se desenha como um ano de forte embate político, no qual a disputa eleitoral tende a intensificar conflitos já abertos. Mais do que promessas de campanha, a população cobrará respostas concretas para problemas que se arrastam e se aprofundam a cada ano.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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