Um vídeo bombástico encontrado em um celular apreendido durante a “Operação Gorjeta” foi o estopim para a deflagração da Operação Emenda Oculta, na manhã desta quinta-feira (30). As imagens, que mostram um suposto repasse de propina, colocaram o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) e seu irmão, o vereador Cezinha Nascimento (União), no centro de uma investigação criminal conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco).
O material audiovisual foi extraído de um aparelho celular recolhido em janeiro deste ano e serviu como prova crucial para que o Ministério Público Estadual (MPE) solicitasse os mandados de busca e apreensão cumpridos hoje. Embora a polícia ainda mantenha em sigilo a identidade do dono do aparelho onde o vídeo foi encontrado, o conteúdo é considerado “irrefutável” para ligar os parlamentares ao esquema de desvio de emendas públicas.
As investigações apontam que os irmãos Nascimento operavam um esquema de “lavagem” de recursos por meio do Instituto Social Mato-grossense (Ismat) e do Instituto Brasil Central (Ibrace). Os parlamentares direcionavam vultosas quantias de emendas para essas entidades e, em seguida, utilizavam uma empresa de fachada para receber parte dos valores de volta. O vídeo apreendido flagraria justamente o momento em que o dinheiro retornava aos políticos, configurando o crime de corrupção.
A Operação Emenda Oculta mobilizou dezenas de agentes e sacudiu os bastidores da Assembleia Legislativa e da Câmara de Cuiabá. Com a confirmação da existência das imagens, o cerco se fecha contra os parlamentares, que agora precisam explicar a origem e o destino do dinheiro registrado no vídeo. O material passará por perícia técnica detalhada, enquanto o Naco busca identificar se há outros vídeos ou mensagens que comprovem a extensão da rede criminosa.
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