TRANSPARÊNCIA

MPF investiga destino de R$ 30 milhões parados para presídios de Mato Grosso

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O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para apurar a baixa aplicação de recursos federais destinados ao sistema prisional de Mato Grosso. O procedimento busca esclarecer por que grande parte das verbas repassadas pelo Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) para obras e melhorias em unidades prisionais não foi utilizada pelo Estado.

Levantamento do órgão aponta que, entre 2016 e 2024, Mato Grosso recebeu aproximadamente R$ 38 milhões para investimentos na infraestrutura do sistema penitenciário. Desse total, cerca de R$ 7,6 milhões foram efetivamente executados, enquanto mais de R$ 30 milhões permaneceram sem aplicação.

Diante do cenário, o MPF pretende identificar os fatores que contribuíram para a baixa execução dos recursos, especialmente em um contexto de demandas estruturais existentes nas unidades prisionais mato-grossenses.

Para subsidiar a apuração, a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) foi acionada para apresentar informações sobre projetos de construção, ampliação e reforma de presídios, além de dados atualizados sobre a situação das unidades em funcionamento no estado.

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O Ministério Público Estadual (MPE) também foi oficiado para encaminhar relatórios e informações relacionadas a problemas estruturais eventualmente constatados durante inspeções e fiscalizações realizadas nos estabelecimentos penais.

De acordo com o MPF, a iniciativa faz parte de uma ação nacional voltada ao acompanhamento da aplicação dos recursos federais destinados ao sistema penitenciário, com foco nos estados que registram baixos índices de execução dessas verbas. A intenção é verificar se houve entraves administrativos, falhas na gestão dos recursos ou outros fatores que possam ter comprometido os investimentos previstos para a melhoria da infraestrutura carcerária.

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CIDADES

Proposta pode alterar limites territoriais e mudar endereço de 24 mil moradores

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Assessoria

Um projeto em tramitação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) poderá alterar o mapa territorial entre os municípios de Poxoréu e Primavera do Leste. A proposta prevê a realização de um plebiscito para que a população decida se o distrito de Nova Poxoréu continuará pertencendo a Poxoréu ou passará a integrar oficialmente Primavera do Leste. Caso a mudança seja aprovada, cerca de 24 mil moradores poderão ter o município de residência alterado.

A iniciativa foi apresentada pela Comissão de Revisão Territorial dos Municípios e das Cidades da ALMT. De acordo com a justificativa do projeto, apesar de Nova Poxoréu estar administrativamente vinculada a Poxoréu, boa parte dos moradores utiliza os serviços públicos, o comércio e o mercado de trabalho de Primavera do Leste.

A proposta foi lida em plenário no dia 1º de julho e, atualmente, cumpre o prazo regimental antes de seguir para as próximas etapas de tramitação na Assembleia.

Em nota, a Prefeitura de Poxoréu manifestou posição contrária ao desmembramento do distrito. A administração municipal argumenta que o estudo de viabilidade que embasa a proposta não representa a realidade local, destaca que mantém investimentos e serviços públicos permanentes em Nova Poxoréu e questiona os dados populacionais utilizados no projeto, afirmando que eles divergem das informações oficiais do IBGE. O município também demonstrou preocupação com a inclusão de uma extensa área rural na proposta e informou que adotará medidas para preservar seus atuais limites territoriais.

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Caso o projeto avance, caberá à Justiça Eleitoral organizar o plebiscito, cuja data ainda será definida. A comissão responsável pela proposta sugeriu que a consulta popular seja realizada juntamente com as eleições deste ano, como forma de reduzir custos operacionais.

Mesmo que a maioria dos eleitores vote favoravelmente à mudança, a incorporação do distrito não ocorrerá automaticamente. Após o plebiscito, será necessária a aprovação de uma lei estadual pela Assembleia Legislativa para oficializar a alteração dos limites entre os municípios.

Na consulta, os eleitores responderão, por meio de voto secreto, se são favoráveis ou contrários ao desmembramento de Nova Poxoréu de Poxoréu e à sua incorporação por Primavera do Leste. As opções de resposta serão apenas “Sim” ou “Não”.

Criado por volta de 2011 para regularizar ocupações existentes na região, o distrito de Nova Poxoréu já chegou a ser incorporado administrativamente a Primavera do Leste durante um processo de atualização territorial. No entanto, a medida foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, mantendo a localidade sob a administração de Poxoréu.

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Segundo a Comissão de Revisão Territorial, estudos técnicos apontam que os moradores do distrito já dependem, na prática, de Primavera do Leste para acesso a empregos, serviços de saúde, educação, comércio e outras atividades essenciais. O levantamento também concluiu que uma eventual mudança não causaria prejuízos financeiros significativos nem comprometeria a prestação de serviços públicos em qualquer um dos dois municípios.

O estudo ainda destaca que muitos moradores se identificam mais com Primavera do Leste e reforça que a alteração somente poderá ser concretizada caso seja aprovada pelos eleitores de Nova Poxoréu, Poxoréu e Primavera do Leste, já que a decisão envolve impactos administrativos e territoriais para os três grupos.

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