CRIME ORGANIZADO

Justiça condena “Primeira Dama” e “Samuray do CV” a quase 20 anos de prisão em MT

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A Justiça de Mato Grosso condenou um casal apontado como liderança do Comando Vermelho (CV) na região de Juína, a 750 km de Cuiabá, por crimes ligados ao tráfico de drogas e à atuação em organização criminosa. A sentença foi proferida na última quarta-feira (14) pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal da Capital.

Foram condenados Ederson Antunes Lopes, conhecido como “Samuray”, e sua companheira, Ingredi Jucieli Beche, chamada de “Primeira Dama”. Cada um recebeu pena de 9 anos e 11 meses de prisão, a ser cumprida em regime inicial fechado.

Segundo a decisão, Ederson exercia a liderança regional do Comando Vermelho em Juína, sendo responsável por coordenar a distribuição de drogas e deter a chamada “voz final” sobre o comércio ilícito na cidade. O processo descreve que ele comandava o núcleo da facção na região e tomava as principais decisões relacionadas ao tráfico.

Já Ingredi Jucieli Beche também ocupava posição de destaque na organização criminosa. Conforme os autos, ela auxiliava diretamente a liderança exercida pelo companheiro, delegando tarefas a outros integrantes da facção e coordenando faccionados envolvidos no comércio de entorpecentes.

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O casal foi condenado pelos crimes de organização criminosa e tráfico de drogas com participação de adolescentes, o que agravou as penas aplicadas.

Além da condenação, a Justiça determinou a venda de três motocicletas apreendidas — duas Honda Titan e uma Honda Fan — e o perdimento de diversos telefones celulares, incluindo dois iPhones, utilizados pelos réus.

Apesar da pena em regime fechado, Ederson Antunes Lopes e Ingredi Jucieli Beche poderão recorrer da decisão em liberdade.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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