Integração multimodal

ANTT confirma estudos para levar ferrovia até Tangará; município consolida como polo estratégico

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A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) confirmou que Tangará da Serra está incluída nos estudos de ampliação da malha ferroviária federal. A resposta oficial foi encaminhada à Assembleia Legislativa por meio do Ofício 3240/2026, protocolado no último dia 11, em atenção à Indicação nº 5510/2025, apresentada pelo deputado estadual Dr. João (MDB).

O documento informa que estão em análise projetos relacionados à Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) e à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). O traçado preliminar passa pela região dos Chapadões dos Parecis, a cerca de 60 quilômetros do perímetro urbano do município.

Para o parlamentar, a confirmação representa um avanço estratégico para a consolidação de Tangará da Serra no cenário logístico nacional.

“Estamos diante de uma oportunidade histórica. Tangará não pode ficar fora do planejamento logístico do Brasil. O fato de o município estar inserido nos estudos demonstra que estamos avançando”, afirmou Dr. João.

O deputado destacou que a implantação da ferrovia pode provocar uma transformação estrutural na economia regional, com geração de empregos, atração de investimentos e redução de custos no transporte de mercadorias.

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Segundo ele, a dependência quase exclusiva do modal rodoviário compromete a competitividade de Mato Grosso, maior produtor de grãos do país. Na safra 2024/2025, o Estado registrou aproximadamente 50,89 milhões de toneladas de soja e mais de 54 milhões de toneladas de milho.

“Nós produzimos em escala global, mas ainda enfrentamos gargalos logísticos. A ferrovia é essencial para reduzir custos, ampliar mercados e preservar nossa infraestrutura rodoviária”, pontuou.

Integração multimodal

Dr. João também ressaltou que a recente aprovação do projeto do Porto Seco em Tangará da Serra fortalece o plano de integração logística.

“Com Porto Seco e ferrovia, o município se consolida como um polo estratégico do Médio-Norte. É uma transformação econômica concreta e sustentável”, declarou.

O deputado informou que continuará acompanhando os estudos junto ao Ministério dos Transportes, à ANTT, à bancada federal e ao Governo do Estado para garantir que o projeto avance para as próximas etapas.

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Agro360

Jovem produtor dá continuidade a legado iniciado nos anos 90 em MT

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A história do produtor rural Anderson Fritzen Frizzo, de 32 anos, se confunde com a própria expansão agrícola de Querência, no nordeste de Mato Grosso. O que hoje é uma propriedade consolidada começou com uma decisão ousada nos anos 1990, quando sua família deixou o Rio Grande do Sul para apostar em terras ainda pouco exploradas no Centro-Oeste.

Com raízes nos municípios gaúchos de Sede Nova e Humaitá, a agricultura sempre fez parte da identidade familiar. No início da década de 1990, movidos por relatos sobre o potencial produtivo de Mato Grosso, os Frizzo decidiram conhecer de perto a nova fronteira agrícola. A visita ocorreu em 1993. No ano seguinte, veio a decisão definitiva: vender parte das terras no Sul e investir em uma área em Querência, onde hoje está instalada a sede da fazenda.

Anderson tinha apenas um ano e meio quando seus pais chegaram ao estado, acompanhados de dois cachorros e um carro simples. Trouxeram consigo mais do que pertences — carregavam fé, coragem e a disposição para recomeçar. Os primeiros anos foram marcados por desafios intensos, desde a abertura das áreas até a construção da fertilidade do solo.

Mesmo criança, Anderson guarda lembranças vivas daquele período.

“Desde pequeno convivi com tudo isso. Acompanhei a abertura das áreas, o planejamento, o trabalho pesado. Foram anos difíceis, mas são memórias boas, que marcaram nossa trajetória”, relembra.

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A formação da agricultura local aconteceu de forma colaborativa. Famílias recém-chegadas trocavam experiências, aprendiam juntas e estruturavam as bases produtivas da região. Nesse ambiente, Anderson cresceu absorvendo valores e desenvolvendo uma ligação natural com o campo.

Apesar da forte influência familiar, teve liberdade para escolher o próprio caminho. Ainda jovem, voltou ao Rio Grande do Sul para cursar técnico em informática, em regime de internato. Mas a experiência não confirmou sua vocação.

“Meu pai disse: ‘Volta e trabalha com a gente na fazenda para ver se é isso que você quer’. Quando retornei, o amor que já tinha pelo campo só aumentou”, conta.

A decisão definitiva veio com a graduação em Agronomia, cursada em Goiânia. Após concluir o curso, Anderson retornou para Querência, onde há cerca de 11 anos atua diretamente na gestão e na condução da propriedade.

Um dos momentos mais marcantes dessa caminhada foi a perda do avô materno, grande incentivador da mudança para Mato Grosso.

“Foi uma divisão de águas. Ele era apaixonado por essa terra. Mesmo com a dor da perda, decidimos continuar o legado que ele ajudou a construir”, relata, emocionado.

Hoje, a história ganha novos capítulos. Anderson é casado, pai de uma menina de seis anos e aguarda a chegada do segundo filho, Pedro. A irmã também constituiu família, fortalecendo a sucessão que mantém viva a trajetória iniciada décadas atrás.

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“Mostramos aos nossos filhos de onde viemos e tudo o que foi construído com dedicação. É um legado de trabalho e amor pela terra.”

Para ele, o agro atual é muito diferente daquele do início da colonização da região. Se antes o foco era abrir áreas e estruturar o solo, hoje o campo é altamente tecnológico, exigindo conhecimento técnico e capacidade de gestão diante de inúmeras variáveis.

Anderson acredita que justamente essa transformação pode atrair as novas gerações.

“A tecnologia é uma porta de entrada para os jovens. O campo hoje é inovação, é gestão, é estratégia. Existe muito espaço para quem quer crescer dentro do agro.”

Com orgulho, ele resume o sentimento que move sua trajetória: produzir alimentos e contribuir diariamente para a mesa de milhões de brasileiros.

A história da família Frizzo é mais do que um relato de sucesso no agronegócio. É a representação de uma geração que acreditou na terra, enfrentou desafios e construiu, com trabalho e perseverança, um legado que segue florescendo em Mato Grosso.

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