Um parecer técnico psiquiátrico e psicológico indicou que Nataly Helena Martins Pereira, acusada de matar a adolescente Emelly Azevedo Sena, de 16 anos, e retirar o bebê de seu ventre, apresentava sintomas psicóticos graves no período do crime.
O laudo, elaborado em dezembro do ano passado e divulgado na íntegra nesta quinta-feira (26), foi anexado ao processo que tramita na Justiça. O documento foi produzido por profissionais contratados pela defesa e tem como objetivo avaliar a condição mental da acusada à época dos fatos, além de subsidiar um possível pedido de instauração de incidente de insanidade mental.
De acordo com a avaliação, Nataly apresentava sinais como alucinações auditivas, pensamentos suicidas e perda de contato com a realidade. O relatório aponta ainda que o quadro teria sido agravado após um suposto aborto espontâneo, ocorrido em fevereiro de 2025, quando ela afirma ter perdido um feto com cerca de 32 semanas de gestação.
Segundo o documento, o episódio desencadeou intenso sofrimento emocional, acompanhado de sentimentos de culpa e autoacusação. A partir de então, a acusada teria desenvolvido um quadro compatível com depressão grave, associado a um possível transtorno relacionado ao período pós-gestacional.
Ainda conforme o laudo, Nataly relatou ouvir vozes que a incentivavam a morrer para reencontrar a filha, além de episódios de automutilação. O parecer também menciona que ela continuou apresentando produção de leite materno mesmo após a perda, o que teria intensificado o abalo psicológico.
A defesa sustenta que o documento reforça a necessidade de uma avaliação oficial por parte da Justiça para verificar a possível inimputabilidade da acusada. Nataly responde pelos crimes de homicídio qualificado, parto suposto e ocultação de cadáver.
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