A Justiça iniciou nesta quinta-feira (11) a fase de instrução do processo que apura a acusação de estupro contra o investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, em Sorriso. Durante a audiência, realizada na 2ª Vara Criminal do município, foram ouvidas a vítima e duas mulheres que dividiam a cela com ela na época dos fatos.
Os depoimentos ocorreram sem a presença do acusado, que permanece preso preventivamente. Em razão do horário, a audiência foi interrompida e deverá ser retomada na próxima quinta-feira (18), quando serão ouvidas as demais testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa. Ao final da instrução processual, o réu será interrogado.
Durante a sessão, o advogado da vítima, Walter Rapuano, apresentou aos autos um inquérito instaurado contra ele e contra sua cliente. Conforme a defesa, o procedimento foi aberto após o investigador registrar um boletim de ocorrência, em dezembro de 2025, acusando ambos de denunciação caluniosa.
O advogado sustenta que a medida teve caráter intimidatório e buscava dificultar o andamento das investigações. Diante da confirmação, por meio de exame de DNA, de que houve relação sexual entre o policial e a mulher que estava custodiada na delegacia, a defesa também requereu que o investigador responda pelo crime de denunciação caluniosa.
O caso passou a ser investigado logo após a denúncia de violência sexual ser formalizada. Segundo a Polícia Civil, diante dos indícios reunidos durante a apuração, foi solicitado à Justiça o decreto de prisão preventiva do servidor, pedido posteriormente aceito pelo Judiciário.
Em fevereiro deste ano, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) divulgou laudo confirmando, por exame genético, o contato sexual entre o investigador e a mulher que estava presa na Delegacia de Sorriso. O documento aponta a ocorrência de conjunção carnal. Embora o laudo não faça conclusão sobre estupro, a investigação conduzida pela Polícia Civil resultou no indiciamento do servidor pelo crime.
Em nota, a Polícia Civil informou que adota rigor na apuração de denúncias envolvendo integrantes da instituição e reforçou que não tolera práticas criminosas ou desvios de conduta por parte de seus servidores.
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