DIREITOS TRABALHISTAS

Paralisação de garis expõe reclamações sobre jornada, alimentação e equipes reduzidas

Publicado em

Emanoele Daiane

Garis responsáveis pela coleta de lixo em Cuiabá fizeram uma paralisação no início da manhã desta segunda-feira (10) para reivindicar melhorias nas condições de trabalho e cobrar o cumprimento de direitos trabalhistas. A categoria apresentou uma pauta com 13 reivindicações, entre elas o pagamento de horas extras, regularização de depósitos do FGTS e recolhimentos ao INSS, recomposição das equipes, melhorias na alimentação e investigação de denúncias de assédio moral e racial.

Os trabalhadores são contratados pela Locar Saneamento Ambiental, empresa terceirizada responsável pela coleta de resíduos na capital. A mobilização ocorreu na garagem da empresa, antes da saída dos caminhões.

Segundo a Prefeitura de Cuiabá e a própria Locar, o movimento foi encerrado e as rotas programadas para esta segunda-feira foram cumpridas normalmente.

Entre as principais reclamações está a jornada de trabalho. Os trabalhadores afirmam que a convenção coletiva estabelece uma carga de 40 horas semanais, mas que, na prática, alguns profissionais chegam a cumprir até 44 horas, além de jornadas extraordinárias.

A categoria também cobra o pagamento de horas extras que, segundo os trabalhadores, teriam sido identificadas durante uma fiscalização realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego entre fevereiro e junho de 2025. O pedido inclui o pagamento retroativo dos valores referentes aos últimos cinco anos.

Outro ponto da pauta trata dos intervalos para descanso. Os garis afirmam que, em determinadas situações, não conseguem usufruir integralmente do período previsto e pedem que esses períodos sejam devidamente compensados ou pagos.

Os trabalhadores também solicitam a regularização dos depósitos do FGTS e dos recolhimentos ao INSS, alegando a existência de atrasos. A categoria quer ainda que a empresa apresente comprovantes periódicos dos pagamentos.

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A pauta inclui o reajuste salarial previsto em convenção coletiva, com o pagamento de eventuais valores retroativos, além da quitação das férias e do adicional de um terço dentro dos prazos estabelecidos pela legislação.

A quantidade de trabalhadores por caminhão também é alvo de reclamação. Segundo os garis, alguns veículos compactadores estariam operando com apenas dois profissionais, enquanto o contrato citado pela categoria prevê três trabalhadores por equipe.

Os funcionários afirmam que a redução provoca aumento da carga de trabalho e sobrecarrega quem permanece na coleta. Por isso, pedem a contratação de novos trabalhadores para recompor as equipes.

Outro problema apontado pelos funcionários envolve a alimentação fornecida durante o expediente.

Os garis relatam que, em algumas ocasiões, teriam recebido lanches mofados ou estragados, além de alimentos armazenados de maneira inadequada. Como alternativa, a categoria propõe que a empresa deixe de fornecer os lanches e passe a pagar um vale específico.

Os trabalhadores também cobram regularidade no pagamento dos benefícios de alimentação e lanche. A reivindicação é para que os valores sejam disponibilizados nos cartões entre os dias 28 e 30 de cada mês.

A pauta apresentada pelos trabalhadores também reúne denúncias de assédio moral e racial que seriam praticados por fiscais da empresa.

Segundo os relatos, funcionários teriam sido vítimas de xingamentos, ameaças, ofensas de cunho racista e até agressões físicas. As acusações ainda deverão ser apuradas.

A categoria reivindica a criação de um canal específico para receber denúncias e solicita o afastamento de dois fiscais citados nos relatos.

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Os trabalhadores também pedem que a Prefeitura de Cuiabá intensifique a fiscalização sobre o contrato firmado com a empresa. Entre as sugestões estão o acompanhamento presencial das atividades, monitoramento das equipes por GPS e conferência da documentação trabalhista antes da liberação dos pagamentos.

A Prefeitura de Cuiabá informou que a Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb) recebeu a pauta apresentada pelos trabalhadores e notificou a Locar para que apresente documentos e informações sobre o cumprimento das obrigações previstas no contrato.

O município ressaltou que as questões trabalhistas envolvendo os funcionários são de responsabilidade da empresa contratada, enquanto cabe à Prefeitura fiscalizar a execução do serviço. Caso sejam constatadas irregularidades contratuais, medidas administrativas poderão ser adotadas.

A Locar, por sua vez, informou que todos os veículos previstos para a operação desta segunda-feira foram colocados em circulação e que a coleta de lixo ocorreu normalmente.

A empresa classificou o movimento como uma paralisação momentânea registrada no início da manhã. Segundo a Locar, dois advogados estiveram na garagem antes da saída das equipes e apresentaram reivindicações aos trabalhadores.

Ainda conforme a empresa, os advogados não seriam representantes do sindicato oficialmente constituído da categoria e nenhuma pauta havia sido formalmente apresentada à Locar antes da mobilização.

A empresa afirmou que aguarda o recebimento oficial das reivindicações para analisar os pedidos e declarou que mantém diálogo com os funcionários e cumpre as obrigações trabalhistas e legais.

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CIDADES

Homem invade creche, furta equipamentos e é filmado praticando ato obsceno no local

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Um homem de 25 anos foi preso nesta segunda-feira (10), acusado de furto qualificado em uma instituição de educação infantil localizada no bairro Jardim das Américas, em Cuiabá. Além do crime patrimonial, ele foi filmado se masturbando na creche.

Conforme a Polícia Civil, o crime ocorreu na madrugada de 29 de junho de 2026. Na data dos fatos, o suspeito entrou pelos fundos do colégio, escalando o muro de um imóvel vizinho. Em seguida, entrou no prédio por uma janela e passou a percorrer diferentes salas de aula, onde abriu armários e compartimentos destinados aos alunos e retirou diversos produtos.

Durante a ação, o investigado furtou latas de leite pertencentes às crianças e, posteriormente, foi até a recepção, de onde levou um notebook, aparelho celular, teclado, rádios comunicadores, carregadores e outros equipamentos utilizados pelos funcionários da instituição.

O suspeito também permaneceu por longo período na cozinha do colégio, onde abriu geladeiras e freezers, manipulou alimentos e separou diversos produtos para subtração, entre eles eletrodomésticos, gêneros alimentícios e utensílios.

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As câmeras de segurança registraram ainda a prática de ato obsceno pelo investigado no interior do colégio, seguida da manipulação de superfícies, utensílios e alimentos destinados às crianças. Por precaução sanitária, a instituição precisou descartar os alimentos existentes no local e realizar a completa higienização dos ambientes afetados.

Conforme apurado no inquérito, o investigado permaneceu aproximadamente 58 minutos dentro da instituição, circulando entre salas de aula, cozinha, recepção e demais dependências à procura de bens para furtar.

Ele deixou o estabelecimento por volta das 4h28, levando os objetos furtados. Toda a movimentação foi registrada pelo sistema interno de videomonitoramento do colégio, sendo as imagens preservadas e incorporadas à investigação.

Com a conclusão das investigações, o inquérito policial reuniu elementos que permitiram a identificação e individualização do suspeito e a responsabilização pelos fatos investigados, relacionados ao furto qualificado mediante escalada, praticado durante o repouso noturno, além da apuração do delito de ato obsceno, que resultou na prisão do suspeito nesta segunda-feira (10).

A ordem de prisão foi deferida pelo Juízo de Garantias da Capital, após a conclusão do inquérito policial conduzido pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá.

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