Crime bárbaro

Justiça nega liberdade a feminicida que enforcou e enterrou esposa no quintal em Cuiabá

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VG Notícias

O juiz João Bosco Soares da Silva, titular da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, manteve a prisão preventiva de Jackson Pinto da Silva durante audiência de custódia realizada na tarde desta quarta-feira (6). O magistrado considerou a gravidade extrema e a frieza do crime para negar qualquer possibilidade de soltura. Jackson confessou ter assassinado a própria esposa, Nilza Moura de Sousa Antunes, utilizando abraçadeiras plásticas para estrangulá-la, antes de ocultar o cadáver em uma cova profunda no quintal da residência.

A investigação da Polícia Civil revelou um cenário de crueldade planejada que chocou até os agentes mais experientes. Jackson não apenas matou a esposa, mas tentou criar um álibi fantasioso ao registrar o desaparecimento de Nilza e alegar que estava sendo extorquido por supostos sequestradores. Para ocultar o corpo, o criminoso chegou a contratar uma empresa para cavar um buraco de dois metros de profundidade, sob o pretexto de realizar uma obra para instalação de manilhas no imóvel da vítima.

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A farsa começou a desmoronar durante o depoimento conduzido pela delegada Eliane Moraes, onde as contradições do suspeito ficaram evidentes. Pressionado, Jackson acabou confessando o feminicídio e indicou o local exato onde havia enterrado Nilza. Em sua defesa, o acusado alegou que “perdeu a cabeça” durante uma briga e que se sentia afastado da família, tentando justificar o ato brutal como um momento de descontrole emocional, versão que foi prontamente rebatida pelos indícios de premeditação.

Com a manutenção da prisão, Jackson Pinto da Silva permanecerá em uma unidade prisional da capital enquanto o processo tramita sob sigilo. A Polícia Civil continua as diligências para concluir o inquérito, focando agora na análise técnica da cena do crime e nos laudos da Politec. O caso, que é tratado como feminicídio qualificado e ocultação de cadáver, segue gerando forte comoção pública e reforça o debate sobre a violência doméstica extrema em Mato Grosso.

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Judiciário

Justiça decreta perda de cargo de investigador condenado por matar PM em Cuiabá após recurso do MP

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A Justiça de Mato Grosso acolheu, nesta segunda-feira (18), os embargos de declaração apresentados pelo Ministério Público Estadual (MPMT) e decretou a perda do cargo público do investigador da Polícia Civil Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves, condenado pelo Tribunal do Júri pelo homicídio do cabo da Polícia Militar Thiago de Souza Ruiz, morto a tiros dentro de uma conveniência em Cuiabá em abril de 2023. A decisão complementa a sentença do Júri Popular, proferida na quinta-feira (14), que havia condenado o réu a dois anos de detenção em regime aberto, mas deixou de analisar expressamente os efeitos extrapenais da condenação — entre eles, a perda da função pública.

O recurso foi protocolado pelo promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, titular da 1ª Promotoria Criminal de Cuiabá e coordenador do Núcleo de Defesa da Vida da Capital. Na manifestação, o MPMT apontou omissão na sentença original, destacando que o próprio réu afirmou durante o interrogatório que atuava na condição de policial civil no momento dos fatos — o que indicaria possível abuso de poder ou violação de dever funcional. A instituição também ressaltou que a pena aplicada foi superior a um ano, requisito legal previsto no artigo 92 do Código Penal para a decretação da perda do cargo público.

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Ao analisar o pedido, o juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, reconheceu a omissão e acolheu os embargos para complementar a sentença, sem alterar a condenação já fixada pelo Conselho de Sentença. Na decisão, o magistrado destacou que as provas produzidas em plenário — incluindo depoimentos e imagens — evidenciaram que o acusado estava armado, sob efeito de bebida alcoólica e envolvido em uma situação de conflito, circunstâncias incompatíveis com os deveres do cargo público.

“A perda do cargo não é automática e depende de fundamentação específica, mas, no caso concreto, estão presentes os requisitos legais para sua aplicação”, consignou o juiz na sentença complementar. O magistrado destacou ainda que o réu vinculou sua conduta ao exercício da função policial, inclusive ao justificar que portava arma de fogo em razão do cargo e que tomou a arma da vítima sob o argumento de averiguação. Para o juiz, houve grave violação dos deveres funcionais, uma vez que o exercício da atividade policial exige equilíbrio, prudência e observância rigorosa da legalidade — requisitos que foram desrespeitados no episódio.

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O crime ocorreu na madrugada do dia 27 de abril de 2023, por volta das 3h30, em uma conveniência localizada na rua Estevão de Mendonça, no bairro Quilombo, em Cuiabá. Mario Wilson foi a júri popular e acabou condenado por homicídio culposo — quando não há intenção de matar. A família do cabo Thiago Ruiz, que acompanhou todo o julgamento, vinha cobrando a anulação do júri e classificou a sentença inicial como impunidade. Com a decisão desta segunda-feira, além da pena de dois anos de detenção em regime aberto, o investigador perde o cargo que ocupava na Polícia Civil de Mato Grosso.

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