Judiciário

Justiça recebe denúncia contra 10 pessoas envolvidas no latrocínio de servidor aposentado da Sefaz

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A Justiça recebeu, nesta terça (10), denúncia oferecida pela 8ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá contra 10 pessoas envolvidas no roubo, sequestro, morte e receptação dos bens do servidor público aposentado Nicomedes Francisco Pinto Lopes, de 69 anos. Os crimes aconteceram em março deste ano, nas cidades de Chapada dos Guimarães e Cuiabá. Os réus serão citados pela 6ª Vara Criminal da Capital para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 dias.

O Ministério Público denunciou sete homens e três mulheres pelos crimes de roubo, extorsão mediante sequestro com resultado morte e receptação. Conforme o MPMT, no dia 21 de março de 2021 Daniel Batista de Souza, Luiz Victor Carvalho dos Santos e Leanderson de Souza Oliveira invadiram a casa da vítima no bairro Por do Sol, em Chapada dos Guimarães, e roubaram duas televisões, um aparelho celular iPhone 8, duas espingardas, um tablet, um cartão do Banco do Brasil e um veículo Jeep Renegade, mediante violência e grave ameaça exercida com emprego de armas de fogo.

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Os bens materiais foram colocados em um veículo que dava apoio ao assalto enquanto a vítima foi sequestrada e trazida para Cuiabá no próprio carro. Nicomedes Lopes foi levado para uma residência localizada no bairro Jardim Vitória, onde estavam Ronei Gomes Barata, Waldineia Oliveira da Silva e Jair da Silva. De acordo com o promotor de Justiça Adriano Augusto Streicher de Souza, estavam “todos reunidos com o mesmo propósito de obterem vantagem ilícita financeira/patrimonial em prejuízo da vítima”.

Nicomedes Lopes foi mantido vivo enquanto o grupo estava na prática criminosa obtendo vantagem financeira até que, no dia 22 de março, em horário e local imprecisos, foi morto a tiros. O corpo foi encontrado no dia 25, na margem da Rodovia Arquiteto Helder Cândia (MT-010). Ainda segundo a denúncia, entre os dias 21 e 22 de março, os casais Pedro Henrique Lopes Corrêa e Débora Milena Barão Ribeiro, e Victor Wuilfredo Aponte Carreno e Jéssica Maia Araújo da Silva, “receberam/adquiriam, em proveito próprio ou alheio, coisa (da vítima), que sabiam ser produto de crime, consistente em dinheiro”.

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Assim, Daniel Batista de Souza, Luiz Victor Carvalho dos Santos e Leanderson de Souza Oliveira foram denunciados pelos crimes de roubo e extorsão mediante sequestro com resultado morte. Ronei Gomes Barata, Waldineia Oliveira da Silva e Jair da Silva foram denunciados por extorsão mediante sequestro com resultado morte. E os casais Pedro Henrique Lopes Corrêa e Débora Milena Barão Ribeiro, e Victor Wuilfredo Aponte Carreno e Jéssica Maia Araújo da Silva vão responder por receptação.

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Judiciário

Justiça decreta perda de cargo de investigador condenado por matar PM em Cuiabá após recurso do MP

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A Justiça de Mato Grosso acolheu, nesta segunda-feira (18), os embargos de declaração apresentados pelo Ministério Público Estadual (MPMT) e decretou a perda do cargo público do investigador da Polícia Civil Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves, condenado pelo Tribunal do Júri pelo homicídio do cabo da Polícia Militar Thiago de Souza Ruiz, morto a tiros dentro de uma conveniência em Cuiabá em abril de 2023. A decisão complementa a sentença do Júri Popular, proferida na quinta-feira (14), que havia condenado o réu a dois anos de detenção em regime aberto, mas deixou de analisar expressamente os efeitos extrapenais da condenação — entre eles, a perda da função pública.

O recurso foi protocolado pelo promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, titular da 1ª Promotoria Criminal de Cuiabá e coordenador do Núcleo de Defesa da Vida da Capital. Na manifestação, o MPMT apontou omissão na sentença original, destacando que o próprio réu afirmou durante o interrogatório que atuava na condição de policial civil no momento dos fatos — o que indicaria possível abuso de poder ou violação de dever funcional. A instituição também ressaltou que a pena aplicada foi superior a um ano, requisito legal previsto no artigo 92 do Código Penal para a decretação da perda do cargo público.

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Ao analisar o pedido, o juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, reconheceu a omissão e acolheu os embargos para complementar a sentença, sem alterar a condenação já fixada pelo Conselho de Sentença. Na decisão, o magistrado destacou que as provas produzidas em plenário — incluindo depoimentos e imagens — evidenciaram que o acusado estava armado, sob efeito de bebida alcoólica e envolvido em uma situação de conflito, circunstâncias incompatíveis com os deveres do cargo público.

“A perda do cargo não é automática e depende de fundamentação específica, mas, no caso concreto, estão presentes os requisitos legais para sua aplicação”, consignou o juiz na sentença complementar. O magistrado destacou ainda que o réu vinculou sua conduta ao exercício da função policial, inclusive ao justificar que portava arma de fogo em razão do cargo e que tomou a arma da vítima sob o argumento de averiguação. Para o juiz, houve grave violação dos deveres funcionais, uma vez que o exercício da atividade policial exige equilíbrio, prudência e observância rigorosa da legalidade — requisitos que foram desrespeitados no episódio.

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O crime ocorreu na madrugada do dia 27 de abril de 2023, por volta das 3h30, em uma conveniência localizada na rua Estevão de Mendonça, no bairro Quilombo, em Cuiabá. Mario Wilson foi a júri popular e acabou condenado por homicídio culposo — quando não há intenção de matar. A família do cabo Thiago Ruiz, que acompanhou todo o julgamento, vinha cobrando a anulação do júri e classificou a sentença inicial como impunidade. Com a decisão desta segunda-feira, além da pena de dois anos de detenção em regime aberto, o investigador perde o cargo que ocupava na Polícia Civil de Mato Grosso.

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