OPERAÇÃO GARATEIA

TJ mantém prisão de recepcionista do MPE acusada de vazar operação contra facção em MT

Publicado em

O desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, da Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou pedido de habeas corpus e manteve a prisão de Katia de Jesus Sanches, suspeita de repassar informações sigilosas da operação “Garateia” a investigados ligados a uma facção criminosa.

Segundo as investigações, Katia atuava como recepcionista na Promotoria de Justiça de Itaúba e teria utilizado login e senha institucionais para acessar dados confidenciais da operação em 10 de novembro de 2025. As informações teriam sido repassadas a Jeferson Marques Grequi, conhecido como “Stuart” ou “Nenén”, apontado como integrante da organização criminosa investigada.

No pedido de liberdade, a defesa alegou que o acesso aos sistemas teria sido um fato isolado. No entanto, o desembargador destacou que a gravidade da conduta não está apenas no ato em si, mas nas consequências práticas do suposto vazamento.

“A manutenção da custódia cautelar não se baseia na gravidade abstrata do delito, mas nas circunstâncias concretas do caso”, afirmou o magistrado. Conforme a decisão, o vazamento comprometeu uma operação de grande porte, resultou na fuga de investigados e colocou em risco a integridade de agentes públicos envolvidos na ação.

Leia Também:  MP oferece denúncia por homicídio triplamente qualificado

Operação Garateia

As apurações começaram em março de 2025, após a prisão de um suspeito com cocaína, armas e munições. A partir daí, a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), ambas de Sinop, ampliaram as investigações e identificaram a atuação de uma facção criminosa voltada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro na região.

Em 18 de novembro do ano passado, a operação cumpriu mais de 80 mandados judiciais, sendo 34 de prisão preventiva e 47 de busca e apreensão, além de bloqueios de contas bancárias. Embora o foco fosse Sinop, houve desdobramentos em Tapurah, Cláudia, Lucas do Rio Verde e até em Teresina (PI).

Com a decisão do TJMT, Katia permanece presa preventivamente enquanto o processo segue em tramitação.

Fonte Folhamax

Entre no grupo do Folha360 no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).

 

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Judiciário

Justiça decreta perda de cargo de investigador condenado por matar PM em Cuiabá após recurso do MP

Published

on

A Justiça de Mato Grosso acolheu, nesta segunda-feira (18), os embargos de declaração apresentados pelo Ministério Público Estadual (MPMT) e decretou a perda do cargo público do investigador da Polícia Civil Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves, condenado pelo Tribunal do Júri pelo homicídio do cabo da Polícia Militar Thiago de Souza Ruiz, morto a tiros dentro de uma conveniência em Cuiabá em abril de 2023. A decisão complementa a sentença do Júri Popular, proferida na quinta-feira (14), que havia condenado o réu a dois anos de detenção em regime aberto, mas deixou de analisar expressamente os efeitos extrapenais da condenação — entre eles, a perda da função pública.

O recurso foi protocolado pelo promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, titular da 1ª Promotoria Criminal de Cuiabá e coordenador do Núcleo de Defesa da Vida da Capital. Na manifestação, o MPMT apontou omissão na sentença original, destacando que o próprio réu afirmou durante o interrogatório que atuava na condição de policial civil no momento dos fatos — o que indicaria possível abuso de poder ou violação de dever funcional. A instituição também ressaltou que a pena aplicada foi superior a um ano, requisito legal previsto no artigo 92 do Código Penal para a decretação da perda do cargo público.

Leia Também:  Motociclista perde o controle e morre após colidir contra poste em VG

Ao analisar o pedido, o juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, reconheceu a omissão e acolheu os embargos para complementar a sentença, sem alterar a condenação já fixada pelo Conselho de Sentença. Na decisão, o magistrado destacou que as provas produzidas em plenário — incluindo depoimentos e imagens — evidenciaram que o acusado estava armado, sob efeito de bebida alcoólica e envolvido em uma situação de conflito, circunstâncias incompatíveis com os deveres do cargo público.

“A perda do cargo não é automática e depende de fundamentação específica, mas, no caso concreto, estão presentes os requisitos legais para sua aplicação”, consignou o juiz na sentença complementar. O magistrado destacou ainda que o réu vinculou sua conduta ao exercício da função policial, inclusive ao justificar que portava arma de fogo em razão do cargo e que tomou a arma da vítima sob o argumento de averiguação. Para o juiz, houve grave violação dos deveres funcionais, uma vez que o exercício da atividade policial exige equilíbrio, prudência e observância rigorosa da legalidade — requisitos que foram desrespeitados no episódio.

Leia Também:  Irmão de secretário de Saúde de MT morre aos 79 anos

O crime ocorreu na madrugada do dia 27 de abril de 2023, por volta das 3h30, em uma conveniência localizada na rua Estevão de Mendonça, no bairro Quilombo, em Cuiabá. Mario Wilson foi a júri popular e acabou condenado por homicídio culposo — quando não há intenção de matar. A família do cabo Thiago Ruiz, que acompanhou todo o julgamento, vinha cobrando a anulação do júri e classificou a sentença inicial como impunidade. Com a decisão desta segunda-feira, além da pena de dois anos de detenção em regime aberto, o investigador perde o cargo que ocupava na Polícia Civil de Mato Grosso.

Entre no grupo do Folha360 no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA