JUSTIÇA ELEITORAL

Juiz mantém investigação contra Eraí Maggi e Avallone por suspeita de doações ilegais

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O juiz eleitoral das Garantias, Alex Nunes de Figueiredo, decidiu manter aberto o inquérito que investiga possíveis doações indiretas na campanha de 2018 envolvendo o empresário Eraí Maggi Scheffer e o deputado estadual Carlos Avallone (PSDB). A decisão rejeita o pedido de Eraí, que tentava interromper a investigação alegando falta de provas e prescrição.

A apuração, conduzida pela Polícia Federal, também inclui Alessandra Aparecida Carvalho. O foco é verificar se recursos teriam sido repassados a candidatos por meio de intermediários, prática proibida pela legislação eleitoral.

Na prestação de contas de Avallone — que somou R$ 1,06 milhão em arrecadação — dois parentes de Eraí aparecem como doadores: Elizeu Zulmar Maggi Scheffer, com R$ 200 mil, e Gilliard Antônio Scheffer, com R$ 100 mil. Avallone recebeu 14.263 votos e assumiu o mandato após inicialmente ficar como suplente.

O parlamentar foi cassado pelo TRE-MT em 2020 por caixa dois e abuso de poder econômico. A decisão ocorreu após a PRF flagrar a circulação de material de campanha avaliado em R$ 89,9 mil às vésperas do primeiro turno.

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No pedido de trancamento, a defesa de Eraí alegou que o caso estaria prescrito e que não havia indícios suficientes para prosseguir. O Ministério Público Eleitoral, porém, defendeu a continuidade do inquérito — posição acolhida pelo magistrado.

Alex Nunes destacou que o prazo prescricional para o delito investigado é de 12 anos, já que a pena máxima prevista é de 5 anos, afastando a tese de prescrição. Ele também ressaltou que, para encerrar a investigação, o grau de certeza exigido é menor do que o necessário para condenação.

O juiz ainda mencionou indícios extraídos de um celular apreendido, com mensagens que mencionam Eraí Maggi e possíveis ajustes de doações feitas por terceiros, valores compatíveis com o que foi declarado à Justiça Eleitoral.

Considerando o potencial impacto das suspeitas na regularidade do processo eleitoral, o magistrado decidiu manter o inquérito ativo para completo esclarecimento dos fatos.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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