Judiciário

Juíza Patrícia Ceni é eleita vice-presidente do Fórum Nacional dos Juizados Especiais

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A juíza Patrícia Ceni, do Poder Judiciário de Mato Grosso, foi eleita vice-presidente do Fórum Nacional dos Juizados Especiais para a nova gestão da entidade. A diretoria também será composta pelo presidente, juiz Rosalvo Augusto Vieira da Silva (Poder Judiciário da Bahia), e pelo secretário, juiz Fabrício Reali Zia (Poder Judiciário de São Paulo).

Com mais de 13 anos de atuação nos Juizados Especiais, Patrícia Ceni destacou a importância da eleição e o papel de Mato Grosso no fortalecimento do sistema. “Recebo com enorme alegria e profundo senso de responsabilidade a missão de assumir a vice-presidência do Foanje. Hoje me sinto honrada em poder representar o Estado de Mato Grosso em um espaço tão relevante para o aprimoramento da Justiça”, afirmou.

A juíza também agradeceu ao judiciário mato-grossense pelo apoio institucional: “Agradeço ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que sempre se manteve ativo, presente e colaborativo dentro do Fonaje. Esse reconhecimento reflete não apenas o meu trabalho, mas o compromisso institucional do TJMT com a inovação, a celeridade e o acesso à Justiça. Assumo este cargo com humildade, sabendo do tamanho da responsabilidade, e com a firme esperança de corresponder às expectativas. Quero contribuir, somar esforços e apresentar resultados que fortaleçam ainda mais o sistema dos Juizados Especiais em todo o país. É uma grande alegria poder servir e continuar trabalhando por uma Justiça mais próxima, eficiente e humana”, completou.

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Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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