ATENDIMENTO INFANTIL

Paulo Araújo cobra reorganização da rede de pediatria em Cuiabá e alerta para risco de colapso

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O deputado estadual Paulo Araújo (PP) alertou para a situação crítica da rede de pediatria em Cuiabá e Várzea Grande, cobrando ações imediatas para reorganizar o atendimento infantil. A declaração feita nesta quarta-feira (26), foi após reunião com representantes da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá (SMS) e o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), convocada pelo promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto, titular da 7ª Promotoria de Justiça Cível da Capital – Defesa da Cidadania (Saúde).

Segundo Araújo, o foco da discussão foi a sobrecarga no Pronto-Atendimento (PA) da Santa Casa, atualmente referência para casos de pediatria. No entanto, ele destacou que não é possível concentrar toda a demanda da capital e da região metropolitana em uma única unidade.

“A rede de pediatria não se resume à Santa Casa. As portas de entrada como as UPAs, policlínicas e o pronto-atendimento do HMC precisam se organizar para atender essas demandas. O município deve se estruturar para não deixar as crianças sem atendimento,” afirmou o parlamentar.

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Durante a reunião, a secretária municipal de Saúde reconheceu que Cuiabá enfrenta dificuldades financeiras e problemas na aquisição de medicamentos. Segundo ela, fornecedores estão sem receber desde agosto de 2024, o que tem comprometido o abastecimento das unidades de saúde.

“Estamos com dificuldade de comprar medicamentos porque as empresas se recusam a fornecer sem o pagamento das dívidas em aberto,” informou a gestora.

Para enfrentar a crise, Paulo Araújo se colocou à disposição para buscar alternativas:

“Sugeri ao prefeito Abílio que busquemos apoio na Assembleia Legislativa. Podemos conversar com os deputados e viabilizar emendas parlamentares para superar essa situação. Sem recursos, não conseguiremos pactuar nada com o município,” destacou o deputado.

O parlamentar enfatizou que a solução passa pela reorganização da rede de pediatria da capital, descentralizando o atendimento e permitindo que a Santa Casa atue como unidade de referência.

“O Hospital Santa Casa precisa exercer o papel para o qual foi pactuado, mas, para isso, a rede deve estar organizada. O objetivo é claro: não podemos deixar as crianças morrerem sem atendimento,” reforçou Araújo.

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A Secretaria Municipal de Saúde se comprometeu a realizar um feedback com profissionais e a reorganizar o fluxo de regulação para distribuir melhor a demanda pediátrica entre as unidades de saúde da cidade.

Novas reuniões devem ser agendadas nos próximos dias para buscar soluções financeiras e definir prazos para a reestruturação dos serviços pediátricos em Cuiabá e Várzea Grande. Paulo Araújo reforçou que, sem medidas urgentes, o sistema pode entrar em colapso, colocando em risco a vida de milhares de crianças que dependem do atendimento público.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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