VERSÕES EM CONFRONTO

Família de servidor do Liceu Cuiabano morto pela PM contesta versão de refém e pede Justiça

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A família de Valdivino Almeida Fidelis, servidor da Escola Estadual Liceu Cuiabano morto em uma intervenção policial na noite de segunda-feira (11), no bairro Goiabeiras, em Cuiabá, lançou uma versão completamente diferente do ocorrido. Em entrevista exclusiva, a sobrinha da vítima — que preferiu não se identificar — afirmou que os policiais militares chegaram atirando sem qualquer tentativa de negociação e que Valdivino jamais apontou a arma contra a enteada, ao contrário do que consta no boletim de ocorrência da Polícia Militar.

Segundo a jovem, a enteada de Valdivino foi voluntariamente até a casa do padrasto para levar comida. A versão da família é que o servidor, que enfrentava um quadro depressivo profundo após o fim de um casamento de mais de 20 anos, havia manifestado intenção de tirar a própria vida, mas nunca ameaçou a jovem ou a ex-mulher. “Ele não manteve uma pessoa em cárcere privado. Ele nunca faria isso, nunca apontaria uma arma”, declarou a sobrinha, visivelmente abalada.

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A familiar narrou que a enteada estava “livre” dentro da residência, filmando e enviando mensagens para parentes enquanto tentava convencer Valdivino a desistir da ideia de suicídio. “Ele queria se matar, mas não matar ninguém. A enteada foi lá levar comida e ele pediu para falar com a ex-mulher, dizendo que iria se matar e depois era para chamar a polícia para tirar o corpo dele”, afirmou. A família alega que a casa ficou cheia de marcas de bala e sangue, e que os policiais não tentaram negociar antes de atirar.

A Polícia Militar, por sua vez, mantém a versão registrada em boletim de ocorrência. Segundo a corporação, as equipes da RAIO foram acionadas após denúncia de cárcere privado com uso de arma de fogo e, ao chegarem ao local, visualizaram o suspeito apontando a arma para a cabeça da vítima. A PM afirma que houve tentativa de negociação, mas que Valdivino resistiu, tentou fechar a porta e apontou a arma contra os militares, resultando nos disparos. O caso agora depende da conclusão da perícia e das investigações da DHPP para esclarecer qual versão corresponde à realidade dos fatos.

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POLÍCIA

Vereadores são alvo de operação que investiga desvio de R$ 1,95 milhão em cestas básicas

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Vereadores e outros investigados foram alvos da Operação Mesa Vazia, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta sexta-feira (3), para apurar um suposto esquema de desvio de cestas básicas e kits de higiene e limpeza destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social em Barra do Garças.

De acordo com as investigações, aproximadamente 13 mil cestas básicas e kits teriam sido desviados, causando um prejuízo estimado em R$ 1,95 milhão aos cofres públicos. A Polícia Civil não divulgou os nomes dos investigados.

Os produtos faziam parte do Programa SER Família Solidário, coordenado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), e deveriam ser distribuídos a famílias previamente cadastradas por meio de órgãos públicos e entidades devidamente credenciadas.

No entanto, as apurações apontam que parte desse material teria sido desviada para um esquema paralelo de distribuição, realizado sem controle institucional e sem qualquer prestação de contas.

Durante a investigação, os policiais identificaram inconsistências entre os registros oficiais de entrega e a quantidade de produtos efetivamente recebida por representantes de entidades beneficiadas.

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Para avançar na apuração, a Justiça autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão, quebra de sigilo de dados, afastamento de agentes públicos de suas funções e outras medidas cautelares, incluindo a proibição de contato entre os investigados e o impedimento de frequentarem locais relacionados aos fatos investigados.

Segundo a Polícia Civil, os alimentos e kits eram retirados em centros oficiais de distribuição, principalmente em Cuiabá, e transportados até Barra do Garças. Em vez de serem encaminhados às instituições responsáveis pela entrega às famílias, parte da carga teria sido levada para imóveis particulares, chácaras, sedes de associações e outros locais privados, onde ocorria uma redistribuição considerada irregular.

As investigações indicam que o esquema funcionava por meio de dois modelos distintos. O primeiro seguia o fluxo regular, com solicitação formal, documentação, entrega por órgãos competentes e prestação de contas. Já o segundo utilizava um fluxo paralelo, no qual os produtos eram movimentados com aparência de legalidade, por meio de entidades, documentos considerados suspeitos e representantes sem legitimidade formal, mas sem o devido controle dos órgãos públicos.

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A Polícia Civil continua as investigações para identificar todos os envolvidos, esclarecer a extensão do esquema e apurar o destino final dos produtos que deveriam beneficiar famílias em situação de vulnerabilidade social.

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