Dois trabalhadores naturais do Rio Grande do Sul foram resgatados após denunciarem agressões, ameaças e condições análogas à escravidão em uma fazenda localizada em Alta Floresta, no norte de Mato Grosso. O caso foi registrado na sexta-feira (22), e o empregador, de 39 anos, acabou preso em flagrante pela Polícia Militar.
Segundo o boletim de ocorrência, a polícia foi acionada depois que uma das vítimas procurou ajuda relatando ter sido agredida pelo patrão. Aos policiais, os trabalhadores contaram que viajaram do Rio Grande do Sul para Mato Grosso após receberem uma proposta de trabalho na região.
De acordo com os relatos, eles foram contratados por um empreiteiro responsável por administrar o serviço e também pelos maus-tratos sofridos pelas vítimas. Os homens disseram que estavam hospedados em uma residência ligada ao suspeito, na comunidade Rio Verde, e eram levados diariamente até a fazenda onde trabalhavam.
Os trabalhadores afirmaram ainda que o empregador vinha demonstrando insatisfação com o desempenho deles e fazia ameaças constantes, inclusive dizendo que os deixaria sem dinheiro para retornar ao estado de origem.
Conforme os depoimentos, o acordo previa três meses de trabalho, mas apenas metade do salário era paga mensalmente. O restante seria quitado somente ao final do contrato.
Na sexta-feira, durante o trajeto até a propriedade rural, o suspeito acusou os funcionários de furtarem uma caixa de som de sua casa. Após negarem o crime, uma das vítimas teria sido agredida com tapas e chutes.
Após a denúncia, os policiais foram até o alojamento utilizado pelos trabalhadores e encontraram o imóvel em condições consideradas degradantes. O local foi fotografado e registrado pela equipe.
Inicialmente, o suspeito não foi localizado, mas acabou encontrado em uma estrada próxima à fazenda. Ele foi abordado, preso em flagrante e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, onde o caso passou a ser investigado.
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