A Polícia Federal revelou detalhes das apreensões realizadas na manhã desta segunda-feira (8) durante a Operação Gemini, que investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Entre os itens recolhidos em imóveis de alto padrão estão artigos de luxo avaliados em centenas de milhares de reais e um arsenal que inclui até uma submetralhadora.
Os principais alvos da ofensiva são o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL). Durante as buscas, os agentes localizaram diversos armamentos, além de itens de colecionador e acessórios de grife. Chamou a atenção dos investigadores a apreensão de um relógio da marca Rolex e um estojo de canetas de luxo da marca Montblanc, cujo valor estimado supera os R$ 100 mil.
Foco na lavagem de dinheiro
A Operação Gemini é um desdobramento das investigações que ganharam força após a perícia no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023. Os dados extraídos do aparelho indicaram uma rede de influência voltada à comercialização de sentenças e à ocultação de recursos de origem ilícita.
Além das buscas domiciliares e pessoais, a Justiça determinou o afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. O objetivo é rastrear o fluxo financeiro que sustentava o padrão de vida luxuoso e identificar se os bens apreendidos foram adquiridos com proveito de crimes como corrupção passiva e advocacia administrativa.
Até o momento, a Polícia Federal não confirmou prisões, focando na coleta de provas materiais para robustecer o inquérito. O desembargador Dirceu dos Santos já cumpre afastamento determinado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desde março, enquanto o deputado Faissal Calil, que já foi assessor do magistrado, agora tem suas atividades parlamentares e profissionais sob escrutínio federal.
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