A Polícia Civil cumpriu, nesta terça-feira (26), mandado de busca e apreensão na residência do ex-secretário municipal de Saúde de Campo Novo do Parecis, Dalmo Henrique Thomazzi, durante a Operação Silêncio Comprado. A ação investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo a gestão do Hospital Municipal Euclides Horst e possíveis tentativas de interferência em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
As investigações apontam que pessoas ligadas ao caso teriam atuado para influenciar os trabalhos da CPI criada para apurar irregularidades na administração da unidade hospitalar. Até o momento, a Polícia Civil não informou se houve apreensão de materiais na casa do ex-secretário ou nos demais endereços alvos da operação.
Dalmo ocupou o comando da Secretaria Municipal de Saúde durante a gestão do ex-prefeito Rafael Machado, do Partido Progressistas (PP).
A CPI foi instaurada após a morte da arquiteta e urbanista Larissa Pompermayer Ramos, de 29 anos, registrada em novembro de 2025. Grávida, ela morreu depois de complicações surgidas após um parto cesáreo realizado no Instituto São Lucas, organização responsável pela administração do hospital municipal.
Segundo informações divulgadas anteriormente, Larissa passou pela cirurgia no dia 2 de novembro e, nos dias seguintes, apresentou uma grave infecção. Diante do agravamento do quadro, ela foi transferida para Tangará da Serra e depois encaminhada a Cuiabá, mas sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.
A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e teve início após denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Entre os fatos apurados estão suspeitas de pagamentos por serviços não executados, emissão de notas fiscais falsas, movimentações irregulares de recursos públicos e possível desvio de verbas relacionadas à gestão hospitalar.
De acordo com a Polícia Civil, existem indícios de crimes contra a administração pública, especialmente corrupção ativa, além de outros delitos que ainda estão sendo analisados.
As ordens judiciais autorizadas incluem mandados de busca e apreensão, bloqueio de valores, sequestro de bens, quebra de sigilos telefônico e telemático, além de outras medidas cautelares. As decisões foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias do Polo de Tangará da Serra.
Os mandados são cumpridos em Campo Novo do Parecis, Arenápolis e também nas cidades de Barueri e Cotia, em São Paulo.
Em nota, a Prefeitura de Campo Novo do Parecis informou que a atual gestão não é alvo da investigação e afirmou ter colaborado com a CPI ao fornecer documentos solicitados pelo Legislativo municipal.
“Mantemos nosso compromisso com o trabalho sério e dentro dos parâmetros legais”, afirmou o Executivo municipal em trecho da nota.
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