GUERRA DO JOGO

Após 20 anos, TJ confirma prescrição e encerra caso contra Arcanjo por duplo homicídio

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Mais de duas décadas após o crime que marcou a disputa pelo controle dos jogos de azar em Mato Grosso, a Justiça encerrou a possibilidade de responsabilização penal do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve a decisão que reconheceu a prescrição do processo, extinguindo a punição pelo assassinato dos empresários Rivelino Jacques Brunini e Fauze Rachid Jaudy, ocorrido em 2002.

O julgamento foi realizado nesta terça-feira (17), quando os magistrados da Primeira Câmara Criminal acompanharam, por unanimidade, o voto do relator, desembargador Wesley Sanchez Lacerda, e rejeitaram recurso do Ministério Público. A acusação buscava anular a sentença de primeiro grau que declarou extinta a punibilidade do chamado “Comendador”.

Segundo a denúncia, os homicídios estariam ligados à disputa pelo domínio de máquinas caça-níqueis e do jogo do bicho no Estado. O crime teria sido executado pelo ex-policial militar Hércules de Araújo Agostinho, conhecido como “Cabo Hércules”, apontado como pistoleiro de Arcanjo.

De acordo com o processo, o ataque ocorreu no dia 6 de junho de 2002, em uma oficina mecânica localizada na Avenida Historiador Rubens de Mendonça, em Cuiabá. Brunini, que era radialista, estava no local acompanhado de Fauze e de Gisleno Fernandes quando foi surpreendido pelo atirador, que passou em uma motocicleta disparando com uma pistola calibre 9mm. Brunini morreu no local após ser atingido por sete tiros. Fauze também não resistiu, enquanto Fernandes sobreviveu.

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A decisão que levou ao fim da ação penal foi tomada pela juíza Mônica Catarina Perri, que analisou o histórico do processo e concluiu que o prazo legal para punição já havia sido ultrapassado. O caso tramitou por mais de 20 anos entre diferentes instâncias e sofreu sucessivas anulações de julgamentos.

A ação teve início na Justiça Federal, em 2002, e foi remetida à Justiça Estadual dois anos depois. Em 2008, Arcanjo chegou a ser pronunciado como mandante, mas a decisão foi anulada. O mesmo ocorreu após nova pronúncia, em 2010. Em 2015, houve condenação em primeira instância, posteriormente invalidada pelo próprio tribunal. Em 2020, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) também anulou a sentença.

Com a retomada do processo, o caso retornou ao primeiro grau, quando a magistrada reconheceu a prescrição. Ela considerou como último marco válido um acórdão de 2011 que confirmou a decisão de pronúncia. Como Arcanjo tem mais de 70 anos, o prazo legal foi reduzido pela metade, o que levou à extinção da punibilidade.

Ao analisar o recurso, o TJMT reafirmou que crimes dolosos contra a vida não são imprescritíveis no Brasil, exceto quando configurados como genocídio, crimes contra a humanidade ou outras violações graves de direitos humanos. A Corte também destacou que a Constituição prevê imprescritibilidade apenas para crimes de racismo e ações de grupos armados contra o Estado Democrático.

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Segundo o relator, o prazo prescricional já havia sido consumado em 2021. Quando a sentença foi proferida, em 2025, o período legal estava ultrapassado há mais de quatro anos.

Esta não é a primeira vez que o ex-bicheiro obtém o reconhecimento da prescrição. Em fevereiro de 2025, a Justiça também extinguiu a punição em outro processo, que tratava da execução de três adolescentes assassinados em 2001, em Várzea Grande. Eles teriam sido mortos após supostamente furtarem dinheiro de um ponto de jogo do bicho.

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Política MT

Pivetta afirma que Parque terá estrutura para maiores feiras de negócios do mundo

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O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou, durante visita técnica ao Parque Novo Mato Grosso na quarta-feira (8), que o complexo terá capacidade para receber as maiores feiras de negócios do mundo e representará um marco para o desenvolvimento do estado. A declaração foi feita durante vistoria acompanhada por representantes das secretarias de Desenvolvimento Econômico e Turismo, além do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes e Bares de Mato Grosso (SHRBS-MT) e do Trade Turístico.

Localizado às margens da MT-251, o parque começou a ser construído em 2021 e ocupa uma área de 300 hectares. O projeto reúne autódromo iluminado, espaço para shows com capacidade para cem mil pessoas, kartódromo, skatepark, lago esportivo, estacionamento, blocos administrativos, central de abastecimento e pista internacional de BMX. O orçamento previsto para conclusão da estrutura supera R$ 1,5 bilhão.

“Terá uma das maiores e melhores feiras de negócios do mundo. Não estou exagerando, porque conheço e tenho certeza que Mato Grosso tem vocação para isso. Vamos trazer as feiras e movimentar”, afirmou o governador.

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Reconhecimento e legado

Pivetta também elogiou o ex-governador Mauro Mendes (União) pela concepção do projeto, comparando sua visão à de Juscelino Kubitschek na construção de Brasília. “Costumo dizer que o Mauro ‘incorporou’ o JK quando fundou Brasília. Eu admiro sua capacidade de bolar algo tão grandioso, sendo inspiração da sua cabeça. Esse complexo vai mudar a história de Cuiabá. Não tenho dúvida. É preciso fomentar o pertencimento, porque isso é de todo o povo mato-grossense”, declarou.

O governador garantiu que trabalhará para atrair investimentos e promover eventos de qualificação profissional no espaço. Ele citou conversas com a direção da Universidade Presbiteriana Mackenzie como exemplo de parcerias em andamento. “Vou fazer minha parte e me esforçar para esse ambiente se tornar um lugar de fazer negócios e qualificação profissional. Ontem recebi a diretoria da Mackenzie e o pessoal ficou encantado. Isso é só o começo e devemos ter coragem para um plano como esse ter muita ousadia”, avaliou.

Pivetta concluiu afirmando que o Parque Novo Mato Grosso representa um legado para o desenvolvimento do estado. “Tenho certeza de que está ficando um legado extraordinário. No governo, nós passamos e o estado fica”, finalizou.

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