DEIXOU O CARGO

Vereadora diz que marido foi pressionado por aliados de Abilio para interferir em voto na Mesa

Publicado em

Rennan Oliveira | Secom Cuiabá

A vereadora Michelly Alencar (União) afirmou que o ex-secretário municipal de Esportes de Cuiabá, Jeferson Neves, seu esposo, deixou o cargo sob pressão de aliados do prefeito Abilio Brunini (PL) em meio à disputa pela presidência da Mesa Diretora da Câmara. Segundo ela, a demissão ocorreu porque a gestão tentou condicionar o cargo à postura da parlamentar na votação que definirá o comando do Legislativo.

De acordo com Michelly, a permanência do marido na administração municipal tornou-se insustentável após ela se recusar a apoiar a tentativa de reeleição da presidente da Câmara, Paula Calil (PL), candidata apoiada por Abilio.

“O meu marido vinha sofrendo uma certa pressão, sim. Como eu não estava no grupo do prefeito, ele compunha o staff da prefeitura e os aliados do prefeito começaram a cobrar”, afirmou nesta terça-feira (14).

Autonomia x alinhamento

Michelly disse que, desde o início da disputa pela Mesa Diretora, comunicou ao prefeito que permaneceria na base do Executivo, mas não abriria mão da autonomia para votar em outro candidato ao comando do Legislativo.

Leia Também:  Câmara pode abrir CPI para investigar estacionamento rotativo

“Eu sempre deixei claro que era base do Abilio. Eu só não apoiava a Paula, entendendo que existem dois poderes distintos. A eleição da Mesa é interna da Câmara”, declarou.

Segundo a vereadora, o próprio prefeito conduziu o rompimento político ao retirar da base os parlamentares que não aderiram ao grupo favorável à reeleição de Paula Calil. “Ele tomou a iniciativa de retirar os vereadores que não estão com a Paula do grupo. Depois recebi uma mensagem dele dizendo para eu seguir meu caminho”, relatou.

A parlamentar afirmou que a pressão política acabou refletindo diretamente na situação do marido dentro da administração municipal. “Chegou ao ponto de não ter mais ambiente para o Jeferson permanecer na secretaria”, disse.

Promessa descumprida

Michelly também rebateu interpretações de que seu alinhamento político ao prefeito estaria condicionado ao cargo ocupado pelo marido. Segundo ela, Jeferson aceitou assumir a Secretaria de Esportes apenas após receber de Abilio a garantia de que sua permanência não dependeria das posições políticas da esposa.

Leia Também:  Candidata propõe carga horária de trabalho reduzida e home office para mães de crianças com autismo

“Ele perguntou ao prefeito se o cargo poderia ficar à mercê das minhas posições na Câmara. O prefeito respondeu que jamais. Só que as coisas mudaram”, declarou.

Independência, não oposição

Apesar da saída do marido da prefeitura, Michelly negou que adotará postura de oposição ao governo municipal. Ela afirmou que continuará fiscalizando a gestão, mantendo independência nas votações e apoiando projetos que considerar positivos para Cuiabá.

“Eu não vou ser a pedra no sapato do Abilio, mas preciso ter autonomia para exercer o meu mandato. O que for bom, vou apoiar; o que não for, vou cobrar”, finalizou.

A exoneração de Jeferson Neves ocorre no momento de maior tensão entre o Palácio Alencastro e parte da base governista, em meio à disputa pela presidência da Câmara. A crise também foi marcada pela retirada de vereadores da base e pelo acirramento das negociações para a eleição do comando do Legislativo, prevista para agosto.

Entre no grupo do Folha360 no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Política MT

Por um voto, CCJ aprova parecer que permite reeleição de Paula Calil; mérito exige 18 votos

Published

on

Donatto Aquino

A Câmara Municipal de Cuiabá aprovou, na sessão desta terça-feira (14), por 13 votos a 12, o parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) ao projeto de resolução que altera o Regimento Interno da Casa e permite que a atual presidente, Paula Calil (PL), dispute a reeleição para o comando do Legislativo.

A votação desta terça analisou exclusivamente o parecer da CCJR, que trata da constitucionalidade e legalidade da proposta. Por se tratar de análise de parecer, a aprovação se deu por maioria simples — bastava que recebesse mais votos favoráveis do que contrários, o que ocorreu por um voto de diferença.

Agora, o projeto segue para a votação de mérito, etapa em que os vereadores decidirão se a alteração do Regimento Interno deve ou não ser aprovada. Diferentemente da análise do parecer, o mérito exige quórum qualificado de dois terços da Câmara, ou seja, pelo menos 18 votos favoráveis entre os 27 parlamentares.

Base rachada

A votação evidenciou o racha na base do prefeito Abilio Brunini (PL). Enquanto parte dos vereadores governistas votou favoravelmente ao parecer, outros parlamentares alinhados ao Executivo se posicionaram contra a proposta por defenderem a candidatura do vereador Ilde Taques (Podemos) para a presidência da Mesa Diretora.

Leia Também:  Operação mira facção que extorquia comerciantes que vendem água em Cuiabá e VG

Cenário jurídico

A discussão ocorre um dia após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negar o pedido de liminar do prefeito Abilio Brunini para suspender a exigência de dois terços dos votos para alterar o Regimento Interno. Na decisão, a desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho entendeu que o município não demonstrou urgência suficiente para afastar a regra em vigor desde 2016. O mérito da ação ainda será analisado pelo Órgão Especial do TJMT.

Os votos

Votaram “sim” (13): Paula Calil (PL), Baixinha Giraldelli (Solidariedade), Marcus Brito Júnior (PV), Samantha Iris (PL), Marcrean Santos (MDB), Tenente-Coronel Dias (Cidadania), Cezinha Nascimento (União Brasil), Demilson Nogueira (PP), Professor Mário Nadaf (PV), Adevair Cabral (Solidariedade), Dilermário Alencar (União Brasil), Kássio Coelho (Podemos) e Ranalli (PL).

Votaram “não” (12): Michelly Alencar (União Brasil), Dídimo Vovô (PSB), Maria Avalone (PSDB), Maysa Leão (Republicanos), Alex Rodrigues (Podemos), Daniel Monteiro (Republicanos), Katia Ciuscia Mantelli (Podemos), Jefferson Siqueira (PSD), Eduardo Magalhães (Republicanos), Chico 2000 (PL), Dra. Mara (Podemos) e Ilde Taques (Podemos).

Leia Também:  Comissão Especial para debater PEC que veda criação de novos parques estaduais aprova relatório favorável ao texto enviado pelo Executivo

Não votaram (2): Sargento Joelson (Podemos) e Wilson Kero Kero (Democracia Cristã).

Entre no grupo do Folha360 no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA