derrota no judiciário

TJ nega tentativa de Abilio mudar regimento da Câmara para reeleger Paula Calil

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A desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, negou nesta segunda-feira (13) o pedido de liminar do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), que pretendia alterar o regimento interno da Câmara Municipal para viabilizar a reeleição da vereadora Paula Calil (PL) na presidência da Casa.

Por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), o Palácio Alencastro buscava suspender provisoriamente a regra que exige maioria qualificada de dois terços (18 votos) para modificar o regimento interno. Se a liminar fosse concedida, bastariam 13 votos (maioria simples) para derrubar a norma que hoje proíbe a recondução da atual presidente na mesma legislatura.

A investida judicial ocorreu após o grupo político do prefeito constatar que não dispõe dos 18 votos necessários para aprovar a mudança por via ordinária.

“Inércia prolongada”

Em sua decisão, a relatora apontou que o regimento interno da capital vigora desde 2016 e que o município não demonstrou prejuízo concreto e irreparável ao longo de todo esse período para justificar a urgência da medida.

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“Quando a norma impugnada vigora há uma década sem que o requerente tenha demonstrado qualquer prejuízo concreto e irreparável decorrente de sua aplicação nesse extenso período, a urgência que justificaria a concessão da medida inaudita altera pars simplesmente não se verifica”, escreveu a magistrada.

“A urgência que autoriza a concessão da medida cautelar não pode ser construída sobre a inércia prolongada do próprio requerente”, completou.

A desembargadora ressaltou ainda que as disputas políticas em torno da reeleição da Mesa Diretora são matéria interna do Legislativo e não representam risco institucional ao município.

Crise na base

A derrota no TJ joga um balde de água fria na estratégia de Abilio Brunini para manter o controle do Legislativo cuiabano. Temendo sofrer sua primeira grande derrota na Câmara no biênio 2027/2028, o prefeito decidiu assumir o protagonismo da disputa de forma direta.

Paula Calil enfrenta forte resistência interna. Não conseguiu sequer o apoio da atual Mesa Diretora, composta integralmente por mulheres, e viu a base governista se fragmentar. O racha mais evidente ocorreu com o vereador Dilemário Alencar (União), que teve seus planos de disputar a presidência rechaçados publicamente por Abilio — episódio que culminou na saída do parlamentar da liderança do governo municipal.

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Do outro lado, o vereador Ilde Taques (Pode) desponta como favorito na disputa, com apoio declarado de pelo menos 14 dos 27 vereadores, sendo rotulado pelo prefeito como líder de uma “chapa anti-Abilio”.

Com o indeferimento da liminar, a oposição e os independentes ganham fôlego. A base governista segue obrigada a costurar o quórum qualificado de dois terços para viabilizar as regras que interessam ao Palácio Alencastro — um caminho que se tornou significativamente mais estreito.

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Política MT

Por um voto, CCJ aprova parecer que permite reeleição de Paula Calil; mérito exige 18 votos

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Donatto Aquino

A Câmara Municipal de Cuiabá aprovou, na sessão desta terça-feira (14), por 13 votos a 12, o parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) ao projeto de resolução que altera o Regimento Interno da Casa e permite que a atual presidente, Paula Calil (PL), dispute a reeleição para o comando do Legislativo.

A votação desta terça analisou exclusivamente o parecer da CCJR, que trata da constitucionalidade e legalidade da proposta. Por se tratar de análise de parecer, a aprovação se deu por maioria simples — bastava que recebesse mais votos favoráveis do que contrários, o que ocorreu por um voto de diferença.

Agora, o projeto segue para a votação de mérito, etapa em que os vereadores decidirão se a alteração do Regimento Interno deve ou não ser aprovada. Diferentemente da análise do parecer, o mérito exige quórum qualificado de dois terços da Câmara, ou seja, pelo menos 18 votos favoráveis entre os 27 parlamentares.

Base rachada

A votação evidenciou o racha na base do prefeito Abilio Brunini (PL). Enquanto parte dos vereadores governistas votou favoravelmente ao parecer, outros parlamentares alinhados ao Executivo se posicionaram contra a proposta por defenderem a candidatura do vereador Ilde Taques (Podemos) para a presidência da Mesa Diretora.

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Cenário jurídico

A discussão ocorre um dia após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negar o pedido de liminar do prefeito Abilio Brunini para suspender a exigência de dois terços dos votos para alterar o Regimento Interno. Na decisão, a desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho entendeu que o município não demonstrou urgência suficiente para afastar a regra em vigor desde 2016. O mérito da ação ainda será analisado pelo Órgão Especial do TJMT.

Os votos

Votaram “sim” (13): Paula Calil (PL), Baixinha Giraldelli (Solidariedade), Marcus Brito Júnior (PV), Samantha Iris (PL), Marcrean Santos (MDB), Tenente-Coronel Dias (Cidadania), Cezinha Nascimento (União Brasil), Demilson Nogueira (PP), Professor Mário Nadaf (PV), Adevair Cabral (Solidariedade), Dilermário Alencar (União Brasil), Kássio Coelho (Podemos) e Ranalli (PL).

Votaram “não” (12): Michelly Alencar (União Brasil), Dídimo Vovô (PSB), Maria Avalone (PSDB), Maysa Leão (Republicanos), Alex Rodrigues (Podemos), Daniel Monteiro (Republicanos), Katia Ciuscia Mantelli (Podemos), Jefferson Siqueira (PSD), Eduardo Magalhães (Republicanos), Chico 2000 (PL), Dra. Mara (Podemos) e Ilde Taques (Podemos).

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Não votaram (2): Sargento Joelson (Podemos) e Wilson Kero Kero (Democracia Cristã).

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