Uma empresa do setor de combustíveis instalada em Várzea Grande foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (24), durante a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo a aquisição de uma distribuidora e operações realizadas por integrantes do mercado financeiro.
Em Mato Grosso, as buscas ocorreram na unidade da Terrana Combustíveis, nome utilizado pela Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., localizada na Avenida Júlio Domingos de Campos, no bairro Jardim Eldorado.
A unidade funciona como base de atendimento e logística da distribuidora no estado, com fornecimento de gasolina, diesel e etanol para postos e empresas.
A nova etapa da Carbono Oculto é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a Receita Federal. Os mandados são cumpridos em sete estados: Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e Espírito Santo.
Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, e os irmãos André e Bruno Tupinambá. Também é alvo o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos e delator em investigações relacionadas ao Banco Master.
Em nota, o Banco Genial informou que Humberto Tupinambá deixou de integrar a diretoria e o quadro societário da instituição em maio de 2026, quando foi destituído. O banco afirmou ainda ter repassado ao Gaeco informações relacionadas a operações envolvendo o Fundo Radford e as empresas Berna e Branson Holdings, além de realizar as comunicações consideradas cabíveis ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Um dos focos da investigação é a forma como ocorreu a aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida comercialmente como Terrana.
Segundo o Gaeco, os investigadores identificaram uma estrutura financeira e societária considerada complexa, que teria envolvido fundos de investimento, empresas e diferentes operações financeiras. A suspeita é de que esses mecanismos tenham sido utilizados para dificultar a identificação da origem do patrimônio e dos verdadeiros controladores dos ativos.
De acordo com o Ministério Público, mais de R$ 120 milhões teriam passado por diferentes empresas e contas intermediárias antes de chegar à estrutura financeira relacionada à compra da distribuidora. A origem, o caminho percorrido pelos recursos e os envolvidos nas operações estão entre os pontos apurados.
A investigação aponta Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, chamado de “Primo”, como supostos líderes da organização investigada. Eles, no entanto, não estão entre os alvos dos mandados de busca cumpridos nesta terceira fase.
A Operação Carbono Oculto já havia alcançado Mato Grosso em agosto, quando cinco pessoas ligadas ao estado foram alvo de outra etapa da investigação. Na ocasião, as autoridades investigavam um esquema bilionário no mercado de combustíveis atribuído a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as informações divulgadas à época, o grupo investigado teria provocado mais de R$ 7,6 bilhões em sonegação de tributos federais, estaduais e municipais.
As investigações continuam para esclarecer a participação de pessoas e empresas nas operações financeiras e identificar os responsáveis pela movimentação e eventual ocultação dos recursos.
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