O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco-MT) deflagrou, nesta quinta-feira (13), a terceira fase da Operação Safra Desviada, que apura um suposto esquema de desvio de cargas de grãos pertencentes ao Grupo Lermen. Ao todo, são cumpridos 21 mandados de busca e apreensão em seis municípios de Mato Grosso: Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, Boa Esperança do Norte, Ipiranga do Norte e Tabaporã.
As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias do Polo de Sinop. A Justiça também determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens e ativos financeiros que ultrapassam R$ 120 milhões. A medida tem como finalidade preservar recursos que possam estar relacionados aos crimes e garantir eventual ressarcimento dos prejuízos.
Segundo o Gaeco, os investigados teriam estruturado um esquema para retirar ilegalmente cargas de grãos do Grupo Lermen. A suspeita é de que pessoas que exerciam funções dentro das empresas tenham utilizado o acesso proporcionado pelos próprios cargos para facilitar a retirada e a destinação das mercadorias.
A apuração teve início com a primeira fase da Operação Safra Desviada, realizada em fevereiro deste ano. Na ocasião, foram cumpridas 180 medidas cautelares em Mato Grosso e em outros quatro estados.
Segundo o Gaeco, o esquema teria causado prejuízo estimado em R$ 140 milhões ao Grupo Lermen e a outras empresas do setor. Entre os crimes investigados estão organização criminosa, furto qualificado, estelionato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
A segunda fase foi deflagrada em 24 de julho e concentrou-se em um núcleo relacionado a operações envolvendo o setor algodoeiro. As medidas foram cumpridas em cidades de Mato Grosso e São Paulo e incluíram bloqueio de ativos, indisponibilidade de imóveis e sequestro de uma aeronave e de veículos.
Nessa frente da investigação, o prejuízo estimado chegou a R$ 28,7 milhões.
A análise de documentos e informações obtidos na primeira etapa da operação levou os investigadores a aprofundar as suspeitas sobre a existência de relações entre pessoas ligadas ao Grupo Lermen e empresários do setor.
A apuração passou a considerar a possibilidade de que os desvios ocorressem de maneira sistemática, com utilização de registros manipulados, controles paralelos e documentos e operações financeiras considerados suspeitos.
Nesta terceira fase, o Gaeco pretende reunir novas provas, identificar com maior precisão a estrutura utilizada no suposto esquema e esclarecer a participação de cada investigado.
A indisponibilidade dos bens determinada pela Justiça também busca evitar que valores e patrimônios eventualmente vinculados aos crimes sejam movimentados ou ocultados antes da conclusão das investigações.
A operação conta com o apoio de equipes dos 3º, 8º e 14º Comandos Regionais da Polícia Militar. O Gaeco é uma força-tarefa permanente coordenada pelo Ministério Público de Mato Grosso, com participação das Polícias Civil, Militar e Penal e do Sistema Socioeducativo.
As investigações continuam. Os alvos são considerados suspeitos e somente poderão ser responsabilizados definitivamente após decisão judicial.
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