A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), esteve na Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) na manhã desta quinta-feira (14) para formalizar uma denúncia contra o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), por suposta fraude na inserção de um crédito suplementar de R$ 215 mil ao orçamento do Poder Legislativo. O decreto, segundo a chefe do Executivo, foi lançado no Sistema Único e Integrado de Execução Orçamentária, Administração Financeira e Controle (Seafic-MT) sem sua autorização ou assinatura digital.
De acordo com Moretti, a suplementação orçamentária foi remanejada sem qualquer comunicação oficial à Prefeitura, e os valores já estavam empenhados para outras despesas. “Fizeram um decreto sem minha assinatura, sem minha autorização, remanejando orçamento da Câmara. Inclusive, esses valores já estavam empenhados”, afirmou. A prefeita destacou que tanto ela quanto o erário municipal são vítimas da irregularidade e que não possui login nem acesso ao sistema para realizar esse tipo de movimentação, o que motivou o registro da ocorrência policial.
O caso ganha contornos ainda mais graves porque o remanejamento foi inserido dentro do percentual de 5% da receita do município que a prefeita pode movimentar livremente. Moretti revelou que, justamente para evitar o uso desse instrumento sem o devido controle, ela envia projetos de lei à Câmara sempre que precisa de suplementação orçamentária. A denúncia também será protocolada junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para investigação paralela.
Na quarta-feira (13), a Prefeitura de Várzea Grande já havia anulado integralmente o decreto fraudulento, com efeitos retroativos a 7 de maio de 2026. O novo ato determina o estorno completo dos lançamentos orçamentários e contábeis, o restabelecimento das dotações originais, o bloqueio cautelar de eventuais pagamentos relacionados ao decreto e a preservação de logs de acesso e trilhas de auditoria. Uma sindicância investigativa foi instaurada para apurar a autoria e as circunstâncias exatas da inclusão indevida no sistema.
Entre no grupo do Folha360 no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).